Chás x Infusões

Os chás e infusões estão presentes em nossa alimentação há séculos, e muito além do lanche da tarde, estes deliciosos são utilizados por nossos antepassados principalmente por suas finalidades terapêuticas, graças aos compostos bioativos presentes, denominados fitoquímicos.

Você sabe a diferença entre chás e infusões?

O chá é o nome específico para um tipo de planta, que é a Camellia Sinensis, e a partir dela surgem os chás mais populares: chá verde, preto, branco e oolong.

As infusões são feitas a partir de água quente, onde ao iniciar a fervura da água o fogo deve ser desligado e esta água adicionada às plantas, frutas, grãos e cascas naturais, tampando por 10-15 minutos.

Entretanto, devo alertar que apesar de serem vendidos livremente, os chás e infusões podem ser nocivos à saúde quando em excesso (ou não necessariamente), e o que determinará isto é se você possui alguma alteração em seu organismo devido a alguma doença, como hipertensão, diabetes, câncer, doença renal, dentre outras.

O chá verde, por exemplo, muito popular e diariamente consumido pela população asiática e recentemente pelos brasileiros, seria bom para todo mundo? Garanto que não. Isto porque possui catecolaminas, que são substâncias capazes de elevar a pressão arterial. Além disso, gestantes, mulheres que amamentam e alterações na tireoide são outros exemplos em que a ingestão de CE não deve ser feita sem orientação profissional.

Então imagina um hipertenso, que decidiu emagrecer por conta própria e seguindo dicas da internet, começou a ingerir litros deste chá? Porque dizem que emagrece… Bom, o  risco de ocorrer alguma complicação nesta pessoa, como um infarto, é alto. Em contra partida, a infusão de camomila é relaxante e não trará malefícios a estes indivíduos.

Ainda assim, mesmo sabendo que a infusão de camomila pode ser benéfica para hipertensos, a indicação para o uso deve ser orientada por um profissional, pois comumente nos deparamos (por exemplo) com indivíduos hipertensos, diabéticos e (também) com doença renal. Que combo, hein? Ou seja: determinado chá/infusão pode ser benéfico para a hipertensão e o diabetes, mas para a doença renal pode ser prejudicial.

Cabe ao Nutricionista especializado em fitoterapia, realizar uma avaliação nutricional detalhada para definir o que se adequará melhor para seu planejamento alimentar, a saber: alimentos, suplementos, chás e infusões. Isto significa que o Nutricionista é capacitado para individualizar bioquimicamente o seu planejamento dietético, atendendo as necessidades de seu organismo.

Abaixo, seguem algumas sugestões de chás e infusões para que você realize em seu dia a dia, desde que com aprovação de seu (a) Nutricionista.

Chá verde (Camellia Sinensis): auxilia no emagrecimento por atuar inibindo citocinas inflamatórias (diminuição de PAI-1 e IL-6, e da ciclooxigenase, uma via metabólica pró inflamatória) e a produção de radicais livres, que são moléculas instáveis produzidas pelo organismo, que quando em excesso, danificam nossas células, levando ao envelhecimento precoce, cansaço e maior propensão ao surgimento de doenças, como o câncer. Em contra partida, aumenta a expressão de adiponectina, que tem diversas funções benéficas, como ação anti-inflamatória, melhora da resistência a insulina e regulação da atividade da leptina, que é um hormônio responsável por gerar a saciedade. Além disso, é potencializador da desintoxicação hepática, eliminando toxinas do organismo.

Seu uso é contraindicado, por exemplo, em pacientes hipertensos, gestantes, amamentação e em outras situações.

Dente de leão (Taraxacum Officinalis): auxilia no processo de desintoxicação do organismo, pois estimula as enzimas do fígado, aumenta a secreção de bile (importante para o metabolismo das gorduras), sendo bastante indicado em pacientes com doenças hepáticas, resultando em melhora de azia, eructação (arroto), transito intestinal e flatulência (gases), graças à melhora no processo digestivo e absortivo dos nutrientes, melhorando também a qualidade da população de bactérias intestinais. Serve ainda como diurético e grande coadjuvante para a melhora da pele, já que as raízes do dente do leão promovem o aumento de fibroblastos, importantes células relacionadas a produção de colágeno, elastina e ácido hialurônico, o que retarda o processo de envelhecimento da pele e flacidez.

Seu uso é contraindicado, por exemplo, em pacientes hipertensos, gestantes, amamentação,  doença renal e pedra na vesícula.

Hibiscos (hibiscos sabdariffa): muito consumido por pessoas que buscam o emagrecimento, o hibiscos possui ação diurética por estimular a produção de óxido nítrico, que é um potente vasodilatador, o que consequentemente aumenta a taxa de filtração dos glomérulos renais. Gera também a dilatação de demais vasos sanguíneos, resultando em melhora de hipertensão arterial, entretanto não deve ser consumido de forma livre, como muitas pessoas fazem e acreditar ser o correto. Efeitos benéficos são observados em resistência a insulina, dislipidemias, otimização na desintoxicação do organismo, imunidade, TPM e digestão.

Seu uso é contraindicado, por exemplo, em gestantes ou mulheres que desejem engravidar, amamentação, enxaqueca e o uso em hipertensos deve ser criteriosamente controlado.

Camomila (Matricaria chamomila): comumente consumida, a infusão de camomila pode ser utilizada na melhora do transito intestinal, em diarreias, cólicas intestinais e biliares, graças a sua concentração de flavonoides e derivados fenólicos. Além disso, contribui para a melhora da ansiedade e do sono, na prevenção de rachaduras em peles secas e sensíveis, é antibactericida, antifúngica e anti-inflamatória, podendo ser realizado o gargarejo em casos de infecções na boca, gengiva e garganta.

Seu uso é contra indicado, por exemplo, em gestantes.

Hortelã (Herba Menthae): a infusão de hortelã é rica em óleos essenciais (mentol, mentona, limoleno), flavonoides, taninos e ácidos fenólicos (luteolina, apigenina e rutina), o que lhe confere ação antibactericida contra a escherichia coli, causadora de infecções intestinais; a cândida sp, causadora da candidíase, muito comum e que acomete diversas mulheres frequentemente. Além disso, suas propriedades anti-inflamatórias agem contra o Helicobacter Pylori, responsável por grande parte dos casos de gastrite e ulcera gástrica, logo, o hortelã é um excelente protetor gástrico. Ainda pode ser utilizado em casos de síndrome do cólon irritável, gripes, resfriados, asma brônquica e para a melhora da digestão e imunidade.

Seu uso é contraindicado, por exemplo, em gestação, e em alguns casos, pode causar insônia.

Cavalinha (Herba Equisetum Arvense):  tendo como seus principais químicos, o manganês, silício, sais de potássio, flavonoides, quercetina e compostos fenólicos (ácido clorogênico e cafeico), a cavalinha é uma potente antioxidante, com ação diurética, auxilia também na formação de colágeno por estimular a atividade de células fibroblásticas, além do aumento de elastina, reduzindo a flacidez e promovendo demais benefícios, como o fortalecimento dos ossos, unhas e redução de rugas. Também atua como hepatoprotetora, analgésica e anti-inflamatória .

Seu uso é contraindicado, por exemplo, em gestantes, lactantes, disfunções cardíacas e alterações renais. Não recomenda-se o uso prolongado!